IA nas escolas, mais uma ideia dourada


Nonato Menezes

O Ensino Público brasileiro tem, ao longo das últimas décadas, sofrido com o talento de sua gestão. Talento demonstrado na esfera Federal, Estadual, Municipal, nos Sistemas de Ensino e nas Escolas. E suas marcas estão no Currículo, nos recursos didáticos, nas ideias novas, no dinheiro empregado e no resultado dos indicadores de qualidade.

Nos primeiros anos da década de noventa, o governo federal fez chegar às escolas públicas centenas de antenas parabólicas. Creio que o programa, se não atingiu a totalidade dos estabelecimentos de ensino, a maioria recebeu a novidade tecnológica daquele momento. Antenas, aparelhos de TV e outros equipamentos chegaram às escolas para melhorar a qualidade do ensino. Esse era o discurso.

Em pouquíssimo tempo o que era novidade, virou sucata. A escola continuou com seus indicadores de sempre. Em centenas de casos, os aparelhos foram instalados, mas jamais utilizados. E como dinheiro nunca se joga fora, certo é que pessoas e empresas ficaram ricas ou mais ricas. E o Ensino Público seguiu seu curso com a didática de sempre, a pedagogia de sempre, os recursos de sempre e seus indicadores de qualidade de sempre.

Anos depois, com a chegada da Internet em nossas vidas, a escola, mais uma vez foi vítima de um programa mal discutido, mal elaborado e implementado de maneira equivocada, cujos resultados, desde o início, eram previsíveis.

A ideia foi a mesma pensada e defendida na ocasião em que o programa da Antena Parabólica foi implementado. Era a tecnologia a serviço da qualidade de ensino. Redes de computadores foram implantadas nas escolas. Criaram os “laboratórios de informática”, com vários terminais em rede, com acesso à Internet de boa velocidade, inclusive. Tudo perfeito, não fosse a ausência do essencial: um projeto pedagógico, criado nas circunstâncias da escola, que inserisse o novo recurso tecnológico na dinâmica escolar.

Internet disponível, rede de computadores disponível, e em muitas escolas, com um indivíduo sem nenhuma habilidade para orientar uma pesquisa, apenas preparado para ligar e desligar os computadores.

A maioria dos professores, quando suas turmas iam para o “laboratório de informática”, não se fazia presente, pois, também, não estava preparada para pesquisar. O que apareceu como novidade, como tecnologia inovadora para impulsionar o ensino, em busca da qualidade, em pouquíssimo tempo, a exemplo das Antenas Parabólicas, virou sucata. E, mais uma vez o livro didático, giz, o quadro e o monólogo sobreviveram a uma ideia dourada de boas intenções.

Chegou a vez da Inteligência Artificial e com ela já está sendo vendida a solução dos problemas do nosso Ensino. De novo.

A novidade chegará às escolas em breve. Foi o que ouvi sobre o propósito do Ministério da Educação. E, certamente chegará, talvez seguindo a mesma trilha dos programas citados acima, com o mesmo desprezo à participação de estudantes e professores na discussão, elaboração e implementação desse eventual programa e ou projeto.

Certo é que nenhuma discussão séria a respeito acontecerá, ainda que seja mais uma boa oportunidade, mas sem as condições adequadas e necessárias para sua implementação.

A dúvida não é sobre se a IA chegará e quando às escolas, mas como será utilizada. Os celulares foram proibidos. Um monitor para cada estudante, provavelmente não será disponibilizado. Um telão no lugar do quadro, muito difícil ocorrer uma troca tão heterodoxa.

A “Inteligência Natural” não tem sido capaz de resolver os históricos problemas do nosso Ensino Básico. O desempenho escolar continua baixo, o alto índice de reprovação persiste, o livro didático continua “vivo”, a formação docente... meu Deus! Quem sabe a “Inteligência Artificial” não venha fazer esse milagre! Vamos esperar.

"A leitura ilumina o espírito".

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