Israel e a construção da intolerância a partir dos bancos escolares



Jornal GGN – Nurit Peled-Elhanan é uma militante pacifista israelense. É professora de Literatura Comparada da Universidade de Jerusalém e uma das fundadoras da associação Bereaved Families for Peace. É filha de um general do Exército de Israel que, após atuar na Guerra dos Seis dias, tornou-se acadêmico, chefe do Departamento de Língua e Literatura Árabe da Universidade de Tel Aviv. Seu pai, Mattityahu Peled, foi um duro crítico da colonização israelense dos territórios palestino, pacifista e um dos grandes defensores do diálogo entre Israel e a OLP, bem como da devolução dos territórios ocupados.

Em 1997, a filha de Nurit foi morta em um atentado suicida palestino. A criança tinha 13 anos. A partir daí Nurit posicionou-se e começou a criticar publicamente a ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza por Israel. Segundo ela, o país adota “uma política míope que recusa o reconhecimento dos direitos do outro e fomenta o ódio e os conflitos”.

Recebeu o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento em 2001, atribuído pelo Parlamento Europeu, “como representante de todos os israelenses que preconizam uma solução negociada do conflito e reivindicam claramente o direito à existência dos dois povos e dos dois estados com direitos iguais”.

Na mesma ocasião, o escritor e crítico literário palestino, Izzat Ghazzawi, também um militante pacifista e que perdeu, como ela, um filho no conflito, recebeu o prêmio.

Apresentações feitas, localizando Nurit no tempo e espaço, eis um documentário em que ela é o fio condutor. Publicado em 2012, no Youtube, neste documentário Nurit Peled-Elhanan fala de uma pesquisa feita por ela com o conteúdo de livros didáticos de Israel. Segundo ela, os livros são elaborados com o objetivo de desumanizar o povo palestino e abrir caminho no íntimo desses jovens para o preconceito, que os ajudará a atuar de forma cruel e insensível no período do serviço militar.

A acadêmica explica que as construções de mundo feitas a partir dos livros didáticos, que formam a base em mentes infantis, são difíceis de serem erradicadas. Israel, agindo desta forma, perpetua o condenável, tornando-o certo. Nos livros, os palestinos não são tidos como seres humanos, não aparecem em condições consideradas normais. Segundo ela, não há nesses livros uma só fotografia que apresente um palestino com rosto, sempre tratados como uma ameaça para os judeus.

https://www.youtube.com/watch?v=GCcV7AtYgwo width:700 height:395

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN
lourdesnassifggn@gmail.com






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