sábado, 5 de abril de 2025

A falência da profissão de professor

(Foto: Agência Brasil)

Desvalorização salarial, condições precárias e falta de reconhecimento social afastam docentes das salas de aula

Valter Mattos da Costa*

As evidências são claras e incontornáveis: a profissão docente caminha, a passos largos, para a falência. Em 2018, o Brasil amargou a última posição no ranking global de status do professor, segundo levantamento da Varkey Foundation, publicado no portal G1.

Desde então, o cenário não só permanece crítico como se agravou, refletindo um projeto estrutural que desvaloriza quem ensina. Professores da educação básica seguem mal remunerados, expostos à violência e sem o mínimo de reconhecimento social ou condições materiais adequadas para exercer sua função. Por que, afinal, uma das profissões mais estratégicas para o futuro coletivo é tratada como descartável?

terça-feira, 1 de abril de 2025

EDUCAÇÃO NA EXTREMA DIREITA - Nacionalismo e educação patriótica

 

Crédito: Rawpixel/Creative Commons

A educação patriótica pode desenvolver nos alunos afetos de hostilidade em relação a outros países e culturas, aumentando o risco de conflitos entre eles. Pode provocar a limitação do pensamento crítico e da liberdade de expressão, incentivar a marginalização de grupos minoritários ou estrangeiros, acirrando as divisões sociais

Antônio Carlos Will Ludwig

A educação patriótica tem ganhado destaque em vários países ao redor do mundo, com diferentes abordagens e objetivos. Embora possa apresentar variações ela continua visando desenvolver o afeto patriótico, ou seja, o sentimento de amor, orgulho e devoção ao próprio país, associado a um apego emocional e cultural à pátria e acompanhado da valorização de suas tradições, história e conquistas. Comumente é expresso de forma simbólica através do culto à bandeira em seu hasteamento, ao canto do hino nacional e à participação em datas comemorativas. Esses rituais têm em vista criar um afeto de pertencimento e orgulho nacional, especialmente entre as novas gerações.

segunda-feira, 31 de março de 2025

A escola e o celular



Nonato Menezes

Bonito seria uma lei para “obrigar” as escolas a terem em cada uma de suas salas um jarro com planta. Imagine uma planta numa sala de aula, como objeto de estudo e conhecimento; e sendo cultuada pela beleza de sua folhagem, floração e aparência do caule? Uma samambaia, uma orquídea ou um cacto sem espinho, para não parecer agressivo. Uma revolução, eu diria.

Primeiro porque toda planta expressa uma vida. Vida um tanto diferente da nossa, é verdade, por exemplo, as plantas não pensam. Mas, não pensar, pode ser compensado por não disputar poder, não ser violenta, nem exalar mau humor. A planta é bela e útil em si mesma, e só tem uma exigência: não dispensa cuidado.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Uma entrevista com o Ron Brown e suas reflexões sobre a universidade como conhecemos

Ronald Brown (Foto: Arquivo Pessoal/Sara York)

Brown dedicou sua carreira a transformar a realidade de atletas negros e a garantir que todos tenham acesso a uma educação de qualidade

Sara York
brasil247.com/

Com mais de 25 anos dedicados à defesa dos estudantes atletas, Ronald Brown, um dos pioneiros do movimento pelo bem-estar dos atletas, é uma figura crucial na luta por justiça no esporte universitário. “O esporte universitário precisa ser um caminho para o sucesso, não um obstáculo para o futuro dos atletas”, afirma Brown, que dedicou sua carreira a transformar a realidade de atletas negros e a garantir que todos tenham acesso a uma educação de qualidade. Seu trabalho, que abrange desde a criação de novas legislações até a implementação de programas de apoio acadêmico e desenvolvimento de carreira, transformou o cenário do atletismo intercolegial e moldou o futuro de milhares de estudantes atletas.

Precariedade docente: Remuneração e racismo estrutural II

Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil

Esse texto trata sobre os docentes de Geografia que lecionaram no Ensino Médio entre os anos de 2015 e 2022, tomando como base de dados para a exposição o Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) e, em alguns momentos, números do Censo Escolar da Educação Básica, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)

Rodrigo Coutinho Andrade

O presente artigo dá continuidade ao que fora publicado no mês de fevereiro neste periódico. Nesta ocasião, o exame trata dos docentes de Geografia que lecionaram no Ensino Médio entre 2015 e 2022, tomando como base de dados para a exposição o Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) e, em alguns momentos, números do Censo Escolar da Educação Básica, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Vamos nos furtar, no momento, das premissas já abordadas, caminhando diretamente para o ‘objeto’ de estudo em si, mas utilizaremos elementos comparativos com o apresentado na ocasião mencionada acima.

Indo direto ao tema, podemos afirmar por meio do RAIS que ocorreu, entre 2015 e 2022, a retração quantitativa dos-as docentes de Geografia no Ensino Médio, com decréscimo contínuo entre 2016 e 2021 – somente em 2022 ocorreu variação positiva significativa, como entre 2015 e 2016, se aproximando ao total especificado para 2018.

A falência da profissão de professor

(Foto: Agência Brasil) Desvalorização salarial, condições precárias e falta de reconhecimento social afastam docentes das salas de aula Valt...